segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Mobilidades Semânticas: Algumas Considerações sobre o Significado Pragmático do Termo “Retornado” na Literatura Pós-colonial Portuguesa

 Explorando as múltiplas camadas de significado no discurso literário pós-colonial

                                                                                                                                   Gutemberg Rapôso em 02/12/2024

A apresentação de Romeu Foz, professor da Universidade Cidade de Macau, trouxe ao SELPI uma análise profunda e instigante sobre o termo “retornado” na literatura pós-colonial portuguesa, destacando suas implicações semânticas e pragmáticas no contexto de mobilidade e identidade cultural.

Foz abordou como o termo “retornado”, amplamente utilizado para descrever os portugueses que retornaram às metrópoles após a descolonização africana nos anos 1970, carrega uma carga semântica complexa e frequentemente ambígua. Na literatura, essa palavra é mais do que um simples rótulo: ela encapsula tensões sociais, deslocamentos geográficos e identitários, e até mesmo preconceitos históricos.

Ao longo da apresentação, o pesquisador examinou obras literárias que utilizam o termo como elemento narrativo central, mostrando como diferentes autores articulam e ressignificam o conceito para explorar experiências de exílio, pertencimento e desajuste. Essa abordagem revelou que o termo “retornado” não é estático, mas dinâmico, adquirindo novos significados conforme o contexto cultural e histórico em que é empregado.

Além disso, Foz enfatizou o papel da pragmática na análise da literatura pós-colonial. Ele argumentou que o uso do termo “retornado” muitas vezes transcende sua definição literal, funcionando como uma ferramenta para criticar estruturas de poder e narrativas coloniais. A apresentação também destacou como essa mobilidade semântica espelha os deslocamentos físicos e psicológicos vividos pelos sujeitos pós-coloniais, conectando o uso do termo a questões mais amplas de memória, trauma e identidade.

A reflexão proposta por Romeu Foz demonstrou como a literatura pós-colonial portuguesa oferece um espaço privilegiado para entender os legados da descolonização e a construção de identidades híbridas. Sua análise nos convida a pensar sobre o papel transformador da linguagem em tempos de mudança histórica e cultural.


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Referências Bibliográficas:

  1. Foz, Romeu. A Língua como Identidade: Perspectivas Pós-coloniais. Universidade Cidade de Macau. Disponível em: https://www.must.edu.mo/
  2. Castelo, Cláudia. O Retornado: Um Trajeto entre África e Portugal. Lisboa: Gradiva, 2005. Disponível em: https://www.gradiva.pt/
  3. Ashcroft, Bill; Griffiths, Gareth; Tiffin, Helen. Post-Colonial Studies: The Key Concepts. Routledge, 2007. Disponível em: https://books.google.com
Currículo do Apresentador:

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